As palavras às vezes cortam como uma faca e de maneira irrefletida
ferimos os outros, mesmo se os amamos, sem que haja retorno.
Conscientes disso é que em muitos dos casos, nos calamos, quando tudo
o que pensamos e sentimos nos queima por dentro.
Essas coisas são os não ditos das relações e da vida.
As palavras que não dizemos, mas não enterramos também, estão sempre
entre nosso coração e nossa garganta e nos ferem interiormente. São
opções que fazemos, seja para não machucar outras pessoas, seja,
simplesmente, pela falta de coragem de sermos nós, inteiros e
límpidos.
A comunicação é a base de todo relacionamento saudável. Pessoas que se
amam, que seja na amizade, no amor ou nas relações familiares, devem
estar prontas para serem quem são, para perdoar e receber perdão.
Não nos calaríamos tanto se soubéssemos que o outro nos ouviria com a
alma, nos entenderia e
continuaria a nos amar, apesar de tudo. Mas as pessoas, por mais
maduras que pareçam, nem sempre
estão prontas para ouvir as verdades, se essas forem doloridas. Assim
são criadas as relações
superficiais, onde pensamos tanto e falamos de menos, onde sentimos e sufocamos.
Nos falta um pouco de humildade para aceitar nossa imperfeição,
aceitar que o outro possa não gostar
de algo em nós e ter o direito de dizê-lo. Nos falta a ousadia de
sermos nós, sem essa máscara que
nos torna bonitos por fora e doentes por dentro.
A comunicação na boa hora, com as palavras escolhidas e certas,
consertaria muitos relacionamentos,
sararia muitas almas, tornaria as pessoas mais verdadeiras e mais bonitas.
Sabemos que as pessoas nos amam quando nos conhecem profundamente,
intimamente e continuam
nos amando. Quando com elas temos a liberdade e coragem de dizer: isso
eu sinto, isso eu sou.
(Letícia Thompson)
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
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